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EM BUSCA DA INGENUIDADE PERDIDA
  
Em busca da Ingenuidade Perdida.

É impressionante como nossas crianças estão cada vez mais (in)formadas, mas tanta informação pode estar “tirando” sua ingenuidade — característica essencial na formação do ser humano e muito importante nessa fase da vida; de tal forma que é revelada por Cnsto quando diz que das tais é o reino dos céus (Mc 10:14).

De fato, a ingenuidade e a pureza estão sumindo com o tempo mesmo... até em nossas crianças. O fruto proibido foi comido há séculos; com ele, o Homem passou a conhecer o bem e o mal (Gn 3:22) e os desatentos sofrem mais com seus efeitos maléficos. Alguém pode questionar dizendo que as seqüelas foram pagas (e apagadas) por Cristo na cruz do calvário... Verdade! Acontece que Deus nos deu livre arbítrio e fazemos nossas escolhas: o bem ou o mal.

O fato é que a serpente continua rondando e oferecendo frutos agora recheados de mashmelow com cobertura de chantily e morango; frutos mistos, quentes e frios.., enfim uma variedade de (dis)sabores, de cores e de tamanhos; uma infinidade de guloseimas para todos os (des)gostos. Ela está pronta para dar o bote (o remo, a rede...), basta achar a vitima! Ultimamente tem programado sua pesca predatória pra cima dos pequeninos (os “peixões” já estão na rede mesmo, são maiores - de idade — “galho fraco!”) e com armamento pesado! Não é à toa que esse animal é considerado como o mais astuto de todos (Gn 3:1) e, como sabe que, trabalhando nas crianças, terá um futuro espiritual fadado ao fracasso, não mede esforços para fisgá-las.

Observe que com o passar do tempo, nossas crianças não brincam mais de “amarelinha”, de “roda”, de “boneca”, de “carrinho”..., até bem pouco tempo, as brincadeiras eram assim, ingênuas como elas. Isso não quer dizer que em outros tempos tudo era “um mar de rosas”, de forma alguma, havia muitas ciladas para as crianças, porém, cada vez mais observamos que os programas, a vestimenta, a música....infantis, embora voltados para esse público, possuem teor de adulto e têm feito um verdadeiro arrastão no valores e na moral. A modernidade é boa (aliás, a Biblia nos diz que “todas as coisas nos são licitas, mas nem todas convêm” — I Co 6:12), porém, corno era de se esperar, os tempos são outros e a modernidade pode estar levando a ingenuidade de nossos pequeninos!

Observe que atualmente ingenuidade já não se traduz por pureza, do contrário indica “debilidade”: se um jovenzinho for ingênuo, age sem malícia, não faz o que a sociedade espera dele... chamam-no de “débil”! Por certo, todos estão debilitados, mas no sentido de serem tragados pela mídia, pelo modismo, pelas astúcias do inimigo... tudo isso em decorrência de uma educação decadente e de pais permissivos. Não bastassem os desenhos animados (aliás, animadíssimos), os “monstrinhos” (in)ofensivos e tantas outras “coisas inocentes”, pesquisas revelam que grande parte dos telespectadores dos programas mais “picantes” da telinha são menores de idade (ei! que mal há em um “programazinho” proibido para menores de 14 anos? qual o problema desse ou daquele brinquedo? Esse povo vê pecado em tudo!!!); há sempre um número considerável de crianças e pré-adolescente (pasmem!!! evangélicos também) “plugados” em sites pornográficos e em programas condenados pela censura (imagine isso em um país onde a censura é livre!), pelo juizado de menores e pelo ECA — Estatuto da Criança e do Adolescente.

Isso ratifica o cuidado redobrado que devemos ter com a educação desses seres que ainda estão experimentando as primeiras adversidades (e não diversões) da vida. Se não pararmos para analisar o caso à luz da Palavra de Deus e para avaliar nossa função nesse contexto, perderemos nossos filhos. Afinal, que crianças queremos formar? Pequenos instruídos, conhecedores da Verdade, sábios e entendidos na Palavra — cientes do que há por trás de tanta ‘beleza’ e atração (Pv 22:6) ou telespectadores em potencial e internautas vidrados em cenas de violência e de sexo explícito (Pv17:21)?

Certamente, quem ama opta pela primeira alternativa porque entende que o sabor do fruto proibido, embora de “excelente” sabor no início, tem seu final amargo e leva ao caminho da morte (Pv 14:12) — caminho oposto ao proporcionado por Jesus Cristo quando morreu na cruz e derramou seu sangue a fim de que o fruto proibido não nos cegasse para o bem e nos desse visão para o mal.

Pais, educadores, irmãos... se amamos nossos pequeninos e queremos o melhor para eles, não sejamos ingênuos ao ponto de “taparmos o sol com a peneira’ e acharmos que são maduros o suficiente para seguirem sós sem que os ensinemos o caminho da vida; ou acharmos que nossas orações bastam e podemos descansar (eternamente em berço esplêndido), cruzar os braços e tudo está consumado (ou seria consumido?!). A Bíblia adverte (e o ministério da saúde cristã também!) acerca do nosso papel (Pv 3:12), caso não cumpramos nossa parte, nós e nossos filhos iremos sofrer as conseqüências das nossas escolhas e omissões (Pv 17:21). Nossa responsabilidade está bem clara nas Escrituras Sagradas... o Senhor faz a Sua parte (e muito bem feita; aliás, de forma perfeita) e nós?! estamos fazendo a nossa? (Pv 22: 6).

Nesses casos, é preciso mais que oração, senão nossas crianças serão consumidas nesse supermercado que é o mundo: com direito a cheque (mate) pré-datado, vale (de lágrimas) transporte, ticket (nervoso) refeição, cartão (vermelho) de crédito... e muito mais! Envolvê-las em uma redoma sem deixá-las criar anticorpos ou proibi-las de tudo acreditando que “o que os olhos não vêem, o coração não sente” não seria uma boa saída — os extremos nunca são boas posições.

Mas se estamos em busca da ingenuidade perdida, é importante sermos seletivos e conscientes e nos colocarmos em posição (de combate) de exemplo, sendo os primeiros (e os mais indicados) a “abrir os olhos” de nossas crianças (não deixemos que a “serpente” faça isso por nós!) com diálogo, culto doméstico, estudo da Palavra.., pedindo orientação divina para nos mostrar a medida certa do conhecimento e do discernimento do bem e do mal a fim de que essa fase seja vivida no tempo certo com a moderação desejada por Deus (Hb 5:14; Fp 1:10, 4:5; Rm 12:3).

As fases mal vividas, atropeladas... trazem conseqüências desastrosas à vida do ser humano, pois as experiências pelas quais passamos em nossa caminhada diária, faz-nos perder, ao longo dos dias, a ingenuidade: é o efeito “fruto do paraíso” que nos abre os olhos para o mal e assim morremos a cada dia (Gn 3:3). Vamos repensar nossas atitudes e ajudar a formar crianças sadias, jovens sábios, gerações equilibradas.., pois Jesus veio para nos dar vida e vida com abundância (Jo 10:10).

Esther Braga
Professora e membro da IAP em Belém-PA
  
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